O efeito das cores
O que seria do amarelo se todos gostassem do vermelho?
Para cada personalidade existe uma cor preferida.
Conheça a influência de cada uma delas sobre o nosso organismo.
O efeito e as influências das cores sobre os seres humanos são muitos e variados e, por isso, merecem um estudo especial. Para facilitar o entendimento do assunto e estabelecer uma ordem informativa, usaremos apenas oito cores, divididas em cores primárias ou básicas, e secundárias ou auxiliares.
Cores primárias: azul, vermelho, verde e amarelo.
Cores secundárias: preto, cinzento, castanho e violeta. As variações entre as tonalidades da mesma cor são ignoradas para ajudar a uma melhor compreensão e também porque não determinam diferenças marcantes quanto aos resultados.
O branco não é citado, pois não é uma cor em si, mas o conjunto de todas as cores; portanto, possui um efeito neutro, não muito significativo em cromoterapia.
O preto, que igualmente não é uma cor, mas a total ausência de cor, é incluído porque produz uma grande influência sobre os seres humanos.
Azul
O azul é uma cor suave, que induz à calma, tranquilidade, ternura, afectuosidade, paz e segurança. Favorece as actividades intelectuais e a meditação. É uma cor passiva, concêntrica, perceptiva, sensível e unificadora.
A contemplação do azul determina a profundidade, sentimento de comunhão no infinito, sensação de leveza e felicidade. É a cor preferida das pessoas calmas, seguras, equilibradas e leais. O azul estimula na personalidade a doçura, o equilíbrio, a sensatez e a ternura. É a cor da compaixão, da paz de espírito, da ética, da integridade e da confiança.
Favorece a criação e a manutenção de um ambiente calmo nas nossas casas ou locais de trabalho.
Num sentido mais profundo, o azul é a cor da nossa identificação com o planeta, que visto do espaço é azul. Nas suas tonalidades mais escuras, o azul é relacionado com o infinito profundo e a eternidade; nos seus tons mais claros, ao êxtase místico. Quando existe aversão ao azul pode significar confusão e instabilidade mental, inquietação, ansiedade, inconstância, orgulho e rebeldia.
Efeitos orgânicos
Redução suave da frequência cardíaca, diminuição do ritmo respiratório, redução da pressão sanguínea, inibidor de descargas de adrenalina, ligeiro efeito hipnótico no sistema nervoso central. Com a redução dos ritmos cardio-circulatórios, respiratórios e nervosos, o organismo tem uma melhoria considerável no que se refere a energia.
Indicações
Nos casos de stress, cansaço, convalescença, pressão alta, obesidade, taquicardia, palpitação, nervosismo, insónia, ira, irritabilidade, temperamento agressivo, ciúme, medo, insegurança, ansiedade, alcoolismo, convulsões, esgotamento nervoso, agitação psicomotora e neuroses.
Contra-indicações
O azul não possui contra-indicações. Uma ligeira contra-indicação em casos de medos muitos acentuados ou fobias.
Vermelho
Uma cor activa e estimulante, que transmite impulsividade, avidez, excitabilidade, impulso sexual e desejo. O vermelho favorece a força de vontade, a conquista, a vitória, a gloria e a capacidade de liderança. A sua contemplação estimula a acção, a luta, a conquista. É a cor das pessoas possuidoras de magnetismo pessoal e de grande força vital psíquica ou orgânica. São pessoas dinâmicas, instáveis, empreendedoras e às vezes até violentas em casos extremos.
O vermelho é preferido por preguiçosos e deprimidos. É rejeitado por pessoas agitadas e irritáveis. Estes sintomas podem aparecer mesmo quando há carência de energia, como nos casos de cansaço extremo.
Efeitos orgânicos
Aumenta a pulsação, a frequência cardíaca, a pressão arterial e o ritmo respiratório. Estimula a força vital, a actividade nervosa e glandular e favorece a contracção da musculatura.
Indicações
Alterações cardiovasculares não congestivas, pressão baixa, insuficiência cardíaca, anemias, fraquezas nervosas, convalescenças, impotência sexual, frigidez, tristeza, depressão, melancolia, desinteresse pela vida e pelas coisas, excesso de práticas psíquicas (ioga, meditação, etc.), doenças musculares atróficas, paralisias musculares, preguiça e doenças debilitantes de uma maneira geral.
Contra indicações
Ira, nervosismo, neurastenia, tensão emocional excessiva, pressão alta, excitação sexual, tensão pré-menstrual, paranóias, esquizofrenias com estados de agitação, fase maníaca da psicose maníaco-depressiva, cãibras musculares, doenças do fígado e da vesícula biliar, insónia e excitabilidade exagerada.
Preto
O preto transmite uma sensação de renúncia, entrega, abandono e introspecção. A sua condição de total ausência de cores relaciona-a simbolicamente com a ideia do nada, do vazio. Por isso expressa a concepção abstracta do zero, da negação, do espaço infinito, do não ser, do não (o branco dá a ideia do sim). Preto e branco são tons extremos que estão ligados ao simbolismo cabalístico do alfa e do ómega, do princípio e do fim.
O preto significa também o destino e a morte, favorece a auto-análise e permite um conhecimento do indivíduo no seu processo existencial. No Ocidente, o preto é a cor do luto por expressar melhor a eternidade no seu sentido mais profundo: a não existência.
As pessoas que preferem o preto ou têm atracção por ele são estranhas, distantes, taciturnas, procuram a renúncia e o isolamento. É a cor predilecta dos monges e outros tipos de religiosos, pois permite um maior contacto com o inconsciente e com a vida interior.
Indicações
O preto tem o efeito de isolar; por isso, muitas vezes é usado antes de uma aplicação específica, para neutralizar o paciente da influência das outras cores. Também pode funcionar como antídoto ao efeito indesejável de uma determinada cor. Tem ainda o curioso efeito de aumentar a capacidade de acção das outras cores, quando é aplicada simultaneamente com essas cores.
Contra-indicações
O preto é contra-indicado, nas roupas, em caso de tristeza excessiva, depressão, melancolia, medo, senilidade e paranóia. Por isso, nunca deveria ser usado por pessoas que acabaram de perder um ente querido – o amarelo seria mais indicado. A tradição do uso do preto como a cor de luto era comum entre os sacerdotes durante as cerimónias fúnebres.
CINZENTO
Trata-se de uma cor neutra e isenta de qualquer capacidade de influenciar o ser humano, já que é o equilíbrio entre o preto e o branco, exactamente o meio do espectro cromático. O cinzento não emite estímulo psicológico. Em qualquer tonalidade que se apresente, não produz nem tensão nem relaxamento: é completamente neutro. Transmite essa mesma neutralidade que dá uma a sensação de equilíbrio e estabilidade. As pessoas que têm atracção pelo cinzento sentem a necessidade de procurar o equilíbrio, a redução dos conflitos psicológicos e podem estar carentes de energia vital. O cinzento é o preferido por aqueles que procuram isolar-se do mundo ou não se identificam com os padrões e valores mundanos.
Efeitos orgânicos
O cinzento não exerce influência sobre os órgãos e as funções orgânicas ou metabólicas.
Indicações
O cinzento é indicado quando se deseja reduzir uma tendência psicológica ou emocional. Ele ajuda a melhorar os defeitos do carácter através da auto-análise e do auto-conhecimento. O cinzento melhora os temperamentos irascíveis.
Contra-indicações
Nos casos de distanciamento da realidade, nas esquizofrenias, no autismo, em casos de memória fraca e desorientação no tempo e no espaço.
Castanho
O castanho representa a estabilidade, a necessidade de segurança, a dependência, a disciplina e a uniformidade e desenvolvendo o sentido das responsabilidades. Como o castanho é uma espécie de vermelho escurecido, ele possui a vitalidade e a força impulsiva do vermelho, só que de forma atenuada pelo preto neutralizador. Assim, o castanho é uma cor que transmite uma vitalidade passiva. É uma cor indiferente, habitualmente preferida por religiosos e caminhantes. Por isso é que se diz que o castanho realça a importância das raízes, do lar e do conjunto social.
Indicações
Nos casos de instabilidade, indisciplina, neurastenia, psicose maníaco-depressiva, atritos familiares e rebeldia infantil.
Contra-indicações
Auto-disciplina excessiva, apego familiar exagerado, dependência afectiva, dependência psicológica à família ou ao grupo e ao isolamento.
Violeta
O violeta é uma resultante da mistura do vermelho com o azul, conservando as propriedades de ambos, embora seja uma cor distinta. O violeta tenta unificar a conquista impulsiva do vermelho com a entrega delicada do azul. É a cor da identificação com o lado misterioso da vida. Permite a sensação de fusão entre sujeito e o objecto, entre o indivíduo e o todo. É, definitivamente, uma cor ligada ao encantamento, ao sonho, ao estado mágico da mente, aos desejos espirituais, ao deleite espiritual ou astral.
O violeta é uma cor preferida mais pelas crianças ou por pessoas imaturas ou que estejam em processo de procura de um sentimento espiritual para as suas vidas. Mas isso não que dizer que a escolha do violeta signifique falta de maturidade ou de dependência. Quem prefere o violeta é claramente sensível e delicado. É a cor das pessoas que têm insegurança emocional e uma certa instabilidade psíquica. O violeta é uma cor feminina, transmitindo misticismo, identificação cósmica, intimidade sensível, encantamento e irrealidade.
Efeitos orgânicos
O violeta actua em diversos órgãos, produzindo equilíbrio entre o sistema simpático e parassimpático.
Indicações
Carência afectiva, auto-destruição, crises de personalidade, materialismo excessivo, remorso e sentimento acentuado de culpa.
Contra-indicações
Mistificação, manias, psicose, vícios de drogas, alcoolismo, hipoglicemia, fanatismo e dispersão mental.